Balanço do Pequeno em Casa

 

A essência do Pequeno Encontro da Fotografia foi mantida na sexta edição do festival, ainda que tenha sido necessário trocar os espaços no Sítio Histórico de Olinda pelos ambientes virtuais por causa da pandemia da Covid-19. Pessoas de várias partes do Brasil, e até de outros países, participaram das trocas artísticas nas diferentes atividades do evento e, antes disso, também se mobilizaram para fazê-lo acontecer de 31 de agosto a 4 de setembro de 2020, com o tema A Insustentável Leveza da Fotografia.

Como a pandemia também teve um forte impacto financeiro no setor cultural, os idealizadores do Pequeno Encontro, Eduardo Queiroga, Maria Chaves e Mateus Sá, enxergaram no financiamento coletivo uma saída para manter a realização o evento este ano, com apoio da empresa e Proa Marketing Cultural e Projetos. A campanha Pequeno em Casa 2020 arrecadou mais de R$ 12 mil para os custos básicos do festival.

“Com o resultado positivo da campanha, pudemos constatar que o engajamento  dos seguidores do Pequeno Encontro reflete não só carinho e a fidelidade dos seus fãs, mas a sua consolidação no calendário de festivais de fotografia do Brasil”, avalia Maria Chaves.

Graças aos 111 benfeitores, foi possível remunerar com valores simbólicos uma equipe enxuta e os profissionais que foram convidados para as palestras, oficinas e leituras de portfólio, além de oferecer bolsas de estudo, arcar com despesas administrativas e plataformas digitais. Alguns deles escolheram recompensas como livros de fotografia ou vagas nas oficinas e leituras de portfólio.

Essas atividades tinham acesso completamente gratuito nas edições anteriores, quando o Pequeno Encontro contou com incentivo direto do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura). Mesmo com as restrições orçamentárias, em 2020 foram oferecidas bolsas de estudo para oficinas e leituras de portfólio a pessoas indicadas por entidades socioculturais como o Coque Vive (PE), Mão na Lata (RJ), Favela em Foco (RJ), Cidade Invertida (SP), Foto Lata (MG), IJCPM (PE), FotoAtiva (PA) e Memaker (PE).

Somando as recompensas da campanha e bolsas de estudo, foram oferecidas 20 vagas para leituras de portfólio feitas pelos os curadores Mariano Klautau (PA) e Rosely Nakagawa (SP); 16 vagas para a edição especial do Programa EM TEMPO: Orientação de projetos, da fotógrafa e curadora Ana Lira (PE); 20 vagas para a oficina Fotografia nas Artes Visuais: Práticas contemporâneas, com a artista visual Letícia Lampert (RS); e 20 vagas para a oficina Minilab Fototaxia: Em busca do elo perdido, com o fotógrafo Miguel Chikaoka (SP).

Todas as demais atividades da programação tiveram acesso gratuito – e bastante engajamento do público. As Convocatórias para Exposições e Projeções receberam tantas propostas que os idealizadores do Pequeno Encontro decidiram ampliar o número de projetos selecionados: De 20 para 23 projeções e de 12 para 35 exposições virtuais (foram mais de 200 inscrições).

A página de exposições foi a mais visitada no site do Pequeno Encontro durante os dias de evento (com mais de 19,6 mil visualizações) e continua no ar até o dia 4 de outubro. As visitas guiadas, que foram realizadas com transmissão ao vivo, vão ficar disponíveis no YouTube por tempo indeterminado. 

“As visitas guiadas superaram todas as expectativas. Muitas pessoas depois comentaram com a gente sobre essa possibilidade de ter ouvido autoras e autores falando sobre as fotos expostas no evento. Nos anos anteriores, os expositores podiam organizar suas visitas, mas, nesta edição, o formato possibilitou uma concentração e você podia ouvir num dia só 12, 14, 16 pessoas. Quase todos os expositores participaram, quem não conseguiu foi porque tinha compromisso no trabalho, uma questão de conexão na internet, essas coisas. Foi algo bacana, que deve continuar e ser intensificado”, avalia Eduardo Queiroga. 

As interações entre pessoas de várias regiões também aconteceram durante as lives feitas à noite para projeções de trabalhos fotográficos, palestras e bate-papos. Elas alcançaram, durante o evento, mais de 4 mil visualizações (no YouTube e Facebook).

O tema da conversa na abertura do festival foi Sobre livros e fotografias: as dores e as delícias de fazer fotolivros. A roda de diálogo contou com a participação da pesquisadora e autora Marina Feldhues (PE), os editores José Fujocka e Luciana Molisani, da Lovely House (SP), e os editores Lígia Fernandes e Valdemir Cunha, da Origem Editora (SP).

Nas noites seguintes, foi a vez do fotógrafo Pio Figueiroa (PE), do artista visual Joelington Rios (MA) e da fotógrafa Cristina De Middel (Espanha) falarem sobre seus trabalhos para o público. O encerramento foi marcado por um bate-papo descontraído entre os idealizadores do Pequeno Encontro e vários convidados.