Projeto revela e dissemina a obra do maestro e clarinetista Lourival Oliveira

No ano em que completaria 100 anos, o maestro, clarinetista e compositor de frevos de rua, Lourival Oliveira, considerado um dos mais importantes compositores do gênero na sua época, terá sua obra difundida graças ao projeto cultural “100 anos de Lourival Oliveira”, que conta com o apoio do 1º Edital do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura – Funcultura Música. O projeto, idealizado pelo arquiteto e neto do músico, Gustavo Rocha, contempla uma série de ações em favor da memória do premiado artista. A produção executiva é assinada pela Proa Cultural e La Esencia, com apoio do Paço do Frevo e estudos do maestro e diretor musical, Henrique Albino.

MESA DE DIÁLOGO – A primeira atividade do projeto foi a realização de uma mesa de diálogo no Paço do Frevo, dentro da programação oficial do Observatório do Frevo, sobre a obra do músico. Sob o título Lourival Oliveira na música frevo: contextos e releituras, o encontro teórico-prático aconteceu no dia 22 de maio e foi comandado pelos pesquisadores, Jailson Raulino, que é clarinetista e professor da Universidade Federal (UFPE) e líder do Grupo de Pesquisa em Competências Performáticas Musicais e Didáticas Instrumentais – UFPE/CNPq; e Henrique Albino, jovem músico que também é arranjador premiado no I Festival de Frevo da Humanidade e líder do Henrique Albino Trio.

Carteira profissional de Lourival Oliveira, parte do acervo da família. Foto: Ray Morais

ACERVO – O projeto também vai disponibilizar o acervo pessoal da família, com fotos, documentos e prêmios do maestro, além de partituras inéditas, escritas à mão pelo próprio Lourival, no site da Proa Cultural, do Paço do Frevo e outros equipamentos culturais brasileiros. “Mergulhar no acervo dos tradicionais e antigos compositores de frevo é torná-lo acessível ao público. É a representação em favor da difusão e manutenção não só da expressão musical, mas de todo o sistema de manifestações culturais que compõe o imaginário pernambucano”, considera a produtora executiva, Maria Chaves, da Proa.

CONCERTO – A culminância do projeto está prevista para o dia 19 de junho, com um espetáculo musical no Teatro Luiz Mendonça, no Parque Dona Lindu, que vai homenagear os 100 anos do maestro Lourival Oliveira no intuito de preservar sua memória, perpetuar sua obra e garantir a continuidade de iniciativas voltadas à valorização do frevo. Na ocasião, os músicos, sob a regência de Henrique, farão um resgate das principais e também de algumas obras inéditas do compositor e o repertório escolhido será executado tal qual pensado por Lourival. Além disso, algumas das partituras originais serão impressas no programa distribuído ao público. “Essa profunda análise da obra do maestro permitirá que as pessoas conheçam o universo dele e o que o fez ser um compositor tão premiado nos festivais de frevo da época”, considera Maria Chaves.

Maria Chaves, da Proa Cultural, e Gustavo Rocha, sobrinho de Lourival. Foto: Ray Morais.

O repertório será dividido por fases composicionais do maestro e terá cerca de 30 frevos de rua, alguns deles inéditos, com influência de ritmos como o baião, xaxado, os frevos para clarinete e até mesmo as polcas, nas quais ele também compunha com muita maestria, muita inventividade. As mais conhecidas do grande público são as composições do LP “Os Cabras de Lampião”, lançado pela extinta Rozemblit em 1979, que traz uma série de frevos de rua com nomes de cangaceiros do bando de Lampião. São elas: Corisco, Lampião, Pilão Deitado, Volta Seca, Maria Bonita, Ponto Fino, Sabino, Ventania, Jararaca, Moitinha, Zabelê e Cocada, esta última considerada um clássico obrigatório em qualquer orquestra de frevo. Corisco é outra composição famosa que foi regravada pelo artista multicultural, Antônio Carlos Nóbrega, num disco que rende homenagens ao maestro Louro, que se considerava um pernambucano por adoção.

Vale ressaltar que todas as ações previstas no projeto serão gratuitas, inclusive a apresentação musical no Teatro. As senhas serão disponibilizadas no dia 11 de junho através do sympla, a fim de democratizar o acesso. A apresentação musical contará com acessibilidade comunicacional para as pessoas cegas, o que irá proporcionar a esse público um aproveitamento ainda maior do espetáculo, uma vez que haverá, antes mesmo do início da apresentação, uma descrição completa do espaço, do movimento das pessoas chegando ao teatro, do apagar das luzes, até uma descrição detalhada da cenografia e iluminação do espetáculo, além de descrever as reações das pessoas, como dançar, por exemplo.