Natura Musical anuncia os 50 artistas, bandas e coletivos patrocinados pela plataforma em 2019

Essa é primeira vez em que o edital contempla 50 artistas, bandas e coletivos, maior número de selecionados na história de Natura Musical

Margareth Menezes (foto), Tássia Reis, ATR, Mariana Aydar, Jaloo & Strobo estão entre nomes que lançarão seus próximos trabalhos com o programa | Foto: Divulgação / Celia Santos

Trinta e cinco artistas e bandas e 15 coletivos farão parte do programa Natura Musical em 2019. Os nomes foram selecionados entre 2.617 inscrições de todo o Brasil. Neste ano, o edital contemplou artistas e bandas que estão em fase de desenvolvimento ou renovação de carreira e abriu espaço para os coletivos culturais. Entre as iniciativas patrocinadas, estão a gravação de discos, turnês nacionais, além da movimentação e documentação de cenas locais.

O resultado do edital 2018 é reflexo da renovação da cena musical brasileira e aposta em artistas que representam o momento de profunda transformação no qual vivemos. Para o próximo ano, Natura Musical oferecerá R$ 4,9 milhões em patrocínio para as categorias “artistas e bandas” e “coletivos culturais”. O programa tem o apoio da Lei Rouanet e das leis estaduais de incentivo à cultura (ICMS) da Bahia, de Minas Gerais, do Pará e Rio Grande do Sul, e de São Paulo.

Impacto na cultura

Em 2017, Natura Musical passou por uma ampla revisão. O programa foi de encontro a projetos musicais conectados com os debates contemporâneos e também buscou se aproximar de modelos de organização e produção culturais mais horizontais e colaborativos. Essa renovação se expressa, por exemplo, na inclusão da categoria dos coletivos na última edição do edital.

A novidade tem como propósito fomentar iniciativas de impacto social e cultural nos locais onde elas estão inseridas. O programa também ampliou a rede de curadores (de 18 para 27 integrantes) como uma forma de fortalecer a diversidade de opiniões e a representatividade dentro do processo de seleção dos projetos.

Participaram da curadoria Ana Morena (Do Sol), David McLaughlin (Brazil Calling), Debora Pill (jornalista), Diana Glusberg (Niceto Club – Argentina), Dilson Laguna (Flow Creative), Evandro Fióti (Lab Fantasma), Fabiana Batistela (SIM SP), Fabrício Nobre (Bananada), Felipe Cordeiro (cantor), Gabriel Klein (Vice Brasil), Juli Baldi (Bananas Music), Katia Abreu (Dia da Música), Lauro Lisboa (jornalista), Larissa Luz (cantora), Luciana Simões (cantora e produtora do Festival BR135), Luciano Balen (Festival Música de Rua), Luciano Matos (jornalista e curador do Festival Radioca), Luedji Luna (cantora e compositora), Marcelo Damaso (jornalista e produtor do Festival SeRasgum), Marcus Preto (produtor), Marilia Feix (Lampeja Música), Michelle Hesketh (produtora), Patrick Torquato (radialista e DJ), Pena Schmidt (produtor musical), Rafael Chioccarello (Hits Perdidos), Veronica Pessoa (Rizoma) e Victor Patesh (Red Bull).

Conheça os selecionados

A força dos trabalhos autorais femininos está representada, entre outros nomes, por artistas como a diva Margareth Menezes, uma das principais vozes femininas da música negra brasileira; Tássia Reis, representante do rap produzido em São Paulo; Bruna Mendez, que ganhou destaque na cena indie goiana; o grupo Luisa e os Alquimistas, do Rio Grande do Norte, que passeia livremente por influências da música latina, brasileira e eletrônica; Mariana Aydar, cantora e compositora com raízes no forró; e TUYO, trio paranaense que aposta em um som flutuante, com letras existenciais e elementos lo-fi.

Da efervescente produção musical baiana há representantes como: a festa Batekoo, um ícone de libertação e representatividade de jovens periféricos de todo o País; a banda OQuadro; grupo com o rap em sua essência; o cantor e compositor Teago Oliveira, músico baiano responsável pela formação do Maglore; Afrocidade, revelação do movimento contemporâneo do pagode baiano, entre outros.

No âmbito da vanguarda e de trabalhos inovadores, são destaques artistas como Keila Gentil, do Pará, que sai em carreira solo após comandar os vocais da seminal banda Gang do Eletro; a parceria inédita entre os paraenses Jaloo, um dos nomes mais celebrados da cena eletrônica nacional, e o duo Strobo; o flow cortante do rapper nortista Pelé do Manifesto; as composições de Pratagy, artista revelação que passeia por gêneros como R&B, reggae e cumbia; e o potente Uaná System, comprometido com a criação e produção de um ritmo eletrônico paraense.

A nova cena musical do Rio Grande do Sul é representada pela cantora e compositora Saskia, dona de uma sonoridade que transita entre o trap e o folk; o duo Suprevão, donos de uma sonoridade construída por beats eletrônicos, graves dançantes e guitarras psicodélicas; o Bloco da Laje, coletivo musical-teatral-carnavalesco que arrasta multidões em Porto Alegre; a percussão sincopada do Cuscobayo, grupo que nasceu em Caxias do Sul; além do Projeto Concha, espaço de troca de referências artísticas e formação de mulheres para o mercado musical; e Sons que Vem da Serra, selo que há cinco anos lança artistas locais por meio do Honey Bomb Records.

A plataforma apoiará também nomes que fortalecem o legado da música brasileira, como a pernambucana Lia de Itamaracá, a mais famosa cirandeira do Brasil; a baiana Virginia Rodrigues, que transita entre o popular e o erudito; o Encontro de Tambores, que preserva o conjunto de manifestações rítmicas do Movimento Quilombola do Maranhão; o projeto “30 Anos Atrás do Pôr do Sol” revisita a obra do cantor Lazzo Matumbi em um disco com oito canções, conduzido por Rabo de Galo e Ubunto.

Em São Paulo, os nomes escolhidos esbarram em experimentação, como é o caso da bem-sucedida banda instrumental ATR, que mescla dançantes vertentes do rock e da música eletrônica; o grupo de samba formado apenas por mulheres intitulado Samba de Dandara; a sonoridade etérea do cantor e compositor Castello Branco; as rimas da revelação do rap feminino, Souto MC; a parceria entre Felipe Antunes, vocalista da banda Vitrola Sintética, e o músico angolano Nástio Mosquito.

O registro e o fomento da cena mineira, que tem sido cuidadosamente construída nos últimos anos por meio da atuação de coletivos, conta com movimentos como Sonâncias Lab, laboratório de experimentações musicais; Mostra IMuNe, que tem como objetivo fomentar o trabalho produzido por artistas negros; o lançamento comemorativo de 30 anos de carreira do DJ Anderson Noise, considerado um dos maiores nomes da música eletrônica no Brasil, entre outros.

Anualmente, Natura Musical assina cerca de vinte discos, grande parte deles à frente de listas e premiações de melhores do ano, como “Melhor do que Parece”, de O Terno, “A Mulher do Fim do Mundo”, de Elza Soares, “Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa”, de Emicida, “Estado de Poesia”, de Chico César, “Dancê”, de Tulipa Ruiz, e os recentes “Xênia”, de Xênia França, “Coração”, de Johnny Hooker, “Boca”, de Curumim, e “Natureza Universal”, de Hermeto Pascoal.

Conheça todos os 50 projetos selecionados:

Edital Nacional – Lei Rouanet

A Poética dos Beiradões (AM)

Bruna Mendez (GO)

Lazzo Matumbi (BA)

Lia de Itamaracá (PE)

Luísa e os Alquimistas (RN)

Luiza Lian (SP)

Mariana Aydar (SP)

Midsummer Madness (RJ)

Mostra Maré de Música (RJ)

Rock de Mulher Circuito (RN)

Seu Pereira (PB)

Tambores da Resistência (MA)

Tássia Reis (SP)

Tuyo (PR)

Virgínia Rodrigues (BA)

Edital Bahia – FazCultura

Afrocidade

As Ganhadeiras de Itapuã

Batekoo

Commons Studio Bar

Margareth Menezes

OQuadro

Ritmos – Novos Sons da Bahia

Teago Oliveira

Edital Pará – Lei Semear

As Origens da Lambada

Guitarrada das Manas

Jaloo & Strobo

Keila Gentil

Nazaré Pereira

Pelé do Manifesto

Pratagy

Sampleados

Uaná System

Edital São Paulo – PROAC

ATR

Castello Branco

Felipe Antunes e Nástio Mosquito

O Corre – Breve

Souto MC

Samba de Dandara

Edital Rio Grande do Sul – Pró-Cultura

Bloco da Laje

Cuscobayo

Projeto Concha

Saskia

Supervão

Sons Que Vem da Serra

Edital Minas Gerais – LEIC Minas Gerais

Anderson Noise

Cachalote Fuzz

Elisa de Sena

Mostra IMuNe

Matéria Prima

Sonâncias Lab

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